Enquanto dormia,a consciência clarificou um lugar que só poderia ser descrito como incomum.
Diante de mim havia uma parede e,por um impulso que não compreendi,permaneci recolhida,como quem tenta ocultar se do desconhecido.Então,um ser aproximou se e tocou minha perna com uma espécie de varinha.Sua voz foi simples e objetiva: é uma fêmea adulta de 55 anos.
Logo depois,fiquei consciente novamente,mas dessa vez,já estava em uma sala rústica,de madeira.Permaneci em pé diante de um ser que não conseguia enxergar,mas eu sabia que registrava algo em uma prancheta.
De repente,vi numa fração de segundos um lado do rosto e nitidamente percebi que se tratava de um jacaré ou um sapo,era esverdeado,cor creme e bojudo.
Nenhuma pergunta foi feita,nenhuma explicação foi dada.Apenas o ato silencioso do registro. Em seguida,tudo foi apagado e despertei.
Ao acordar,um som incomum passou a ser percebido,era semelhante ao ruído distante produzido por uma concha do mar.
Não parecia vir de fora,nem de dentro,mas de algum ponto entre ambos.Esse som permaneceu continuamente por três dias e três noites.
Ao término desse período,algo mudou.Uma intensa corrente de informações começou a surgir em minha mente,como se idéias,relações e significados estivessem sendo revelados em sequência.
Então compreendi que deveria escrever.
Passei a carregar cadernos e canetas para todos os lugares:no trabalho,durante as caminhadas e até nas tarefas simples do cotidiano.
Ainda assim,ficou a sensação de que apenas uma pequena parte daquilo havia sido registrada.
No entanto,o que pode ser reunido mostrou-se suficiente para dar origem a um livro.
Do que foi compreendido,emergiu uma idéia central:tudo o que existe parece estar submetido a princípios próprios.
Todo ser e toda coisa criada carregariam em si uma essência,uma função e uma aplicabilidade.
A lei,nesse entendimento,não seria castigo,nem privilégio.Seria neutra.Um mecanismo silencioso que sustenta a experiência ,protege,ensina e conduz à um download de consciência.
Talvez evoluir não seja tornar-se outra coisa.
Talvez evoluir seja lembrar,pouco a pouco,daquilo que já estava escrito na própria existência.

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